segunda-feira, 14 de julho de 2008

As Mulheres de Lesbos

Tudo começou a uns cem anos, quando o psquiatra Krafft-Ebing nomeou a relação homossexual entre mulheres de "amor lesbicus" em seus escritos sobre sexologia.

O termo era uma óbvia referência à poeta lírica Safo, a mais célebre habitante da ilha grega de Lesbos, conhecida pelas canções de amor sensuais dedicadas às suas amantes.

Tão influente a moça, inspirou de Platão (que a batizou de "a décima musa") a Baudelaire ("Safo viril, que foi amante e poeta").
Assim, baseada na famosa inclinação homoerótica da poeta, a palavra "lésbica" é usada desde o final do século 19 como sinônimo de mulher homossexual.

Incomodados com o sequestro do termo para uso que julgam ofensivo, três cidadãos de Lesbos acionaram recentemente a justiça grega pedindo a proibição da palavra "lésbica" para definir mulheres homossexuais.

Alegam constrangimento quando suas filhas e irmãs têm que explicar que são lésbicas porque nasceram em Lesbos e não porque fazem sexo com mulheres.

"As homossexuais tem todo o direito de se denominarem como quiserem, mas não podem roubar nossa identidade regional", dizem eles.

O prefeito de Lesbos diz que não apóia a ação dos seus conterrâneos. Não por acaso, as homossexuais representam fatia importante do turismo local, graças ao culto à ancestral Safo.

O importante é notar quanto preconceito pode existir por trás de ações que pretendem defender "a família" ou "a identidade nacional"

By Vange Leonel

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