domingo, 20 de julho de 2008

O difícil caminho do prazer


Sucesso do Viagra motiva pesquisadores a buscar soluções para os problemas sexuais femininos


Hoje, mais do que nunca, as mulheres transam de olho no orgasmo. "A mulher é muito mais do que sexo, mas precisa ao menos ter algum tipo de manifestação de prazer físico", diz a socióloga Eva Blay, coordenadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP. Eva afirma que a medida do prazer feminino está na sensação pós-ato e sugere duas perguntas simples: "Faltou alguma coisa?" e "Eu queria algo mais?". "Não" como resposta para as duas é atestado de orgasmo.

Quantas vezes você (ou sua mulher) tem respondido negativamente a essas duas questões?


Elas só pensam nisso .

Os terapeutas alertam, porém, que o surgimento de toda essa parafernália não deve desembocar numa espécie de corrida maluca atrás do orgasmo. "De um dia para o outro, colocaram na cabeça da mulher que ela é obrigada a ter um orgasmo por noite, senão é um ET. Estão quase todas neuróticas, perseguindo desesperadamente 'esse tal de orgasmo'", diz Sônia Penteado, do HC.


O exagero espalha a dúvida. "Há mulheres que sentem prazer, mas não sabem se aquilo é orgasmo e ficam pensando: 'Será que existe prazer maior do que esse?'", explica Carmita Abdo, do ProSex. Ela lembra que ejaculação feminina nada tem a ver com orgasmo. "Esse fenômeno acontece apenas em algumas mulheres que liberam essa secreção quando sua lubrificação é muito grande."


A intensidade do prazer é, de fato, variável. "Nenhum orgasmo é igual ao outro", diz Alexandre Saadeh, da PUC-SP. Ele faz uma ressalva: "A mulher que teve sabe, não fica na dúvida".


"As mulheres trabalham, criam filhos, têm muitos compromissos. Às vezes, faltam tempo, energia e cabeça para transar", disse a psicóloga Carol Ellison, de Oakland, Califórnia (EUA)
[por Débora Yuri e Paulo Sampaio]

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