domingo, 23 de novembro de 2008

Vaidade precoce: criança com jeito de adulto é um mal

Maquiagem, salto alto, alisamento, moda, acessórios, danças sensuais ...Tudo normal, não fosse o fato de serem elementos cada vez mais presentes no universo das crianças, prejudicando sua infância e seu desenvolvimento

A criança já possui a beleza da sinceridade, o encanto do sorriso, a leveza de um corpo que ainda cresce para a vida. Suas sandálias devem ser baixas, suas roupas confortáveis, seu rosto limpinho e seus cabelos, se enfeitados, somente com as velhas e bem-vindas "maria-chiquinhas".

A vaidade, quando bem dosada, é sinônimo de cuidado e zelo. Em excesso, pode significar alienação e superficialidade. Uma criança, por si só não é vaidosa. Ela reproduz o comportamento dos pais e dos adultos, das pessoas que vê à sua volta, dos artistas de televisão e dos personagens de ficção que admira.

A preocupação excessiva quanto à aparência física leva as crianças a partir de 3, 4 ou 5 anos a querer participar de concursos de beleza, de cursos de manequim, de atrações na TV e a se comportarem como adultos. Mais tarde, na puberdade, são também essas mesmas crianças que poderão encontrar problemas de adaptação com as mudanças do corpo (não se achando bonitas) e não raro podem desenvolver distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia.

Outro alerta é sobre o conteúdo das músicas. As crianças cantam e dançam canções carregadas de sexualidade, utilizando roupas, calçados e adereços impróprios para essa fase. As músicas erotizadas têm se tornado "febre" já na infância. A Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) informa que a carga sexual forte, aliada a coreografias sensuais, faz que as crianças tenham acesso a elementos que não são adequados a sua faixa etária, induzindo comportamentos inadequados.

A SBP lembra também que o acesso precoce a esse tipo de produto cultural faz que a criança deixe de vivenciar a infância e aquilo que é próprio da fase, que é o brincar. O papel dos pais e da escola é sempre apresentar às crianças outros tipos de músicas, próprias para a idade delas, explicando os motivos de não se dançar ou cantar letras que elas não sabem o que significam.

A psicóloga e psicopedagoga, Elsie Pereira da Silva, mestre em Psicologia Social e da Personalidade, faz um alerta sobre o assunto. Com 25 anos de experiência clínica e escolar, ela aborda três questões relevantes. Confira as avaliações feitas pela especialista.

a) O prejuízo da precocidade – A criança deve viver cada etapa do seu desenvolvimento. É importante que brinque, pois assim desenvolverá suas capacidades psicológicas superiores, tais como a criatividade, a atenção, a imaginação e a memória. A criatividade - característica exclusiva dos humanos - traz enormes benefícios, porque é a capacidade de pensar além da situação imediata, possibilitando a solução de problemas. Quando as crianças começam a imitar a vaidade dos adultos, elas deixam de viver experiências lúdicas saudáveis, como o faz-de-conta, as atividades ao ar livre, as brincadeiras no parque e os jogos de bola.

b) Por que as crianças se comportam como adultos? – Um dos principais responsáveis por esse comportamento é a mídia, que transmite padrão de beleza pré-fabricado. Os que não se encaixam nessa forma se sentem "diferentes" e frustrados por não se enquadrarem em tal padrão. Nossas crianças são alfabetizadas para ler e escrever, mas não têm senso crítico suficientemente desenvolvido para filtrar todas as informações que são transmitidas pelos meios de comunicação. Por isso, ficam extremamente vulneráveis ao que é veiculado. Algumas famílias também incentivam o comportamento amadurecido das crianças, muitas vezes incoerente com sua idade cronológica. Toda criança necessita ter responsabilidade, assim como tempo para brincar – mas sempre de acordo e coerente com a sua faixa etária.

c) Como evitar a vaidade precoce? – A responsabilidade maior nesse caso cabe à família, que deve filtrar o que as crianças assistem, quais as brincadeiras que praticam, com quem estão convivendo. É necessário equilíbrio entre o que elas têm de responsabilidade e o tempo para brincar. Criança precisa ser criança, desde a maneira de se vestir até em relação ao que é exigido delas. A família não pode abrir mão do seu papel, fundamental para o crescimento saudável dos seus filhos, que é transmitir os valores morais, o afeto, a segurança, os limites, incluindo o limite de não se comportar como adultas, antes de estarem amadurecidas.

Maquiagem,salto alto,alisamento...Nao! Para criança, Não.
Os produtos que fomentam a vaidade física estão cada vez mais presentes no dia-a-dia das crianças e adolescentes. Veja que cuidados os pais devem ter na hora de investir na produção dos pequenos.

Maquiagem: A pele das crianças é muito sensível e quanto mais cedo se começa a usar cosméticos, maiores são as chances de desenvolver alergias e acnes. Uma criança não deve usar sombra, lápis e rímel, devido ao risco de irritação e inflamação da conjuntiva, membrana mucosa que forra a parte anterior do globo ocular. Os batons também merecem atenção, pois estão diretamente em contato com a mucosa. Cuidado com os produtos ditos "para criança". Muitos têm a fórmula praticamente igual aos produtos de adulto.

Químicas: Os tratamentos químicos como alisamento, escova progressiva e tintura só são recomendados a partir dos 16 anos. Antes disso, aumentam os riscos de intoxicação por produtos como soda e formol, utilizados nesses processos. O couro cabeludo, por ser mais sensível, pode desenvolver dermatite seborréica, queda de cabelo, ressecamento, ardência, além de irritação nos olhos.

Calçados: As crianças não devem usar saltos, alertam os ortopedistas, pois prejudicam o desenvolvimento dos ossos, uma vez que o esqueleto ainda está em formação. Eles modificam a distribuição do peso e sobrecarregam a parte da frente dos pés. O que pode causar deformidade nos dedos e hiperlordose, curvatura anormal da coluna, que causa alteração na postura. O mais indicado é que as crianças usem calçados baixos e confortáveis.
fonte: Max In

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