domingo, 26 de julho de 2009

Desejo e fidelidade

Depoimento:

"Terminei um bom relacionamento por falta de sintonia sexual e por ter encontrado um novo parceiro com os mesmos desejos. Ele é casado e não deixará a mulher. Não me separei esperando a mesma atitude dele, mas me sinto perdida, pois vejo que várias pessoas mantêm vida dupla."

Muitas pessoas mantêm vida dupla, pois temem mudanças ou reconhecem os próprios limites. Algumas vivem de forma claustrofóbica diante da necessidade imperativa de controlar o desconhecido; outras, se acomodam e encontram um lugar entre suas necessidades e seus desejos.

Podemos viver sob o preceito de evitar o sofrimento ou sob o de procurar o maior prazer possível. Parecem semelhantes, mas não são, pois o primeiro ocorre quando o medo da dor nos domina de forma imperceptível. É como se a batuta do maestro exigisse da orquestra apenas não fazer feio durante a apresentação. Quanto menor a aposta, menor o prejuízo. Nenhuma luta é válida, estão todas perdidas. A estratégia é diminuir e descredenciar o sujeito frente ao que deseja -o que deixa na boca um gosto amargo de fraqueza e depressão.

O segundo está relacionado à capacidade de sustentar os próprios desejos e de apostar no que se acredita. Significa se arriscar e enfrentar o perigo da decepção, do fracasso, ou mesmo, do sucesso. É preciso coragem para investir no que acreditamos e força para arcar com as consequências. Parece ser o seu caso. Nadar contra a maré exige fôlego.


Luciana Saddi é psicanalista

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